28 de Junho de 2010                
Por: José de Souza Junior

                                                  Maquiavel

Andei me perguntando: o que poderia estar escrevendo em plena Copa do Mundo? Falar da seleção brasileira? Das incríveis imagens futebolísticas num país que sempre mostrou ao mundo outro tipo de realidade? Ou ainda, escrever sobre a política brasileira nesse tempo de exílio. E sei muito bem que muitos preferem correr para o caderno de esporte ou colunas sociais. Embora que, não me restando outra solução, e, assim buscarei nessas breves palavras fazer uma leitura de nossos fatos políticos.
Ao ver os pensamentos políticos de Nicolau Maquiavel percebemos que ele não buscava interrogar os fundamentos abstratos do Estado e, sim sua maneira concreta de governar. O pensamento político de Maquiavel tem finalidade investigativa e afastando os pensamentos especulativo, ético e religioso. Além do mais, nosso autor foi sem dúvida um fino observador político de seu tempo e como também um excelente historiador. É muito claro em Maquiavel sua tentativa de responder os problemas políticos dos principados italianos, os quais estavam em conflitos entre facções, revoluções populares e imperialismo de grandes potências. Portanto, Maquiavel busca uma solução para manter o estado estável, sem desordem e longe da impotência.
O pensamento maquiavélico está fundamentado no estudo do poder sobre o que ele é, e não como deveria ser. Sendo assim, os fatos são estudados quase que cientificamente. Portanto, Maquiavel não assegurasse nas certezas determinadas pelo espírito. Os seus estudos são vendo a história, e com isso, conhecendo os sucessos e os fracassos políticos do passado, na busca de entender o presente e transformar o futuro. Em outras palavras, faz uma leitura racional da vida política.
Doravante, Maquiavel cava um novo caminho. Pois, nos contextos humanistas cristãos e humanistas da Renascença, eles seguiam-se pelo poder das exigências da moral, ou seja, um governante condimentado pela ética, que buscasse ser justo, e equilibrado e benevolente. Só que para Maquiavel os humanistas cometem um erro ao deter num governo ideal e recusar as realidades existentes. E o que Maquiavel mostra é que na política as coisas acontecem diferentes e o uso do poder serve para o governante se manter.
O que temos até aqui é a prioridade do dirigente de conservar o poder. Ou seja, compete ao governante encontrar suas próprias regras para protegê-lo e preservar sua autoridade. Contudo, buscar sua sobrevivência mesmo que tenha que deixar de agir segundo sua própria vontade ou da vontade iluministas, no quesito moral. Então, o governante poderá utilizar-se do bem, como poderá também ser cruel, e, sobretudo saber negligenciar os princípios morais segundo sua necessidade.
E qual a co-relação com a política brasileira? Quando líamos provavelmente lembrávamos-nos de algum fato ou procurávamos encontrar algo que relacionasse ao pensamento de Nicolau Maquiavel. Portanto, as eleições estão chegando. Com campanhas e seus debates. Por conseguinte, o objetivo é conquistar ou manter o poder. Logo, diante de tantas “verdades” apresentadas frequentemente, compete a nós eleitores a votar direito.


José de Souza Júnior
js_junior@yahoo.com.br
 

 


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