12 de Maio de 2010                
Por: José de Souza Junior

                                                 Quando sai um Gol gera-se um Voto

Uma máxima para um bom relacionamento é evitar discutir religião, política e futebol. E mesmo assim encontramos pessoas que ousam desafiar essa lei, e, em compensação ganham os adjetivos de chato, mal educado, inconveniente, etc. Por conseguinte, no campo religioso agimos com o elemento fé. No futebol a paixão. Na política a consciência. Ao menos deveríamos fazer desse modo. Agora quando juntamos todas essas definições em uma única denominação ou a usurpação de qualquer um deles produziremos o fanatismo. A consequência será agir cegamente; quando não tomar atitudes descontroladas e levando a agressão física e moral.
Estamos prestes a dar inicio a Copa do Mundo e ver nosso patriotismo fluir. Agora falar de política e futebol em 2010, o que percebo é tudo vale para comover o eleitorado. Embora que, as eleições começam mesmo depois da Copa do Mundo. No momento as pessoas são forçadas a ouvirem os pré-candidatos, sendo que no fundo, querem saber se fulano ou sicrano vai para Copa. No meu condomínio presenciei a alegria pelo jogo reprise do clássico de Argentina e Inglaterra da Copa de 86. Não que seja contra. O lazer também faz parte de nossa vida. Contudo, já dizia Bertolt Brecht: o pior analfabeto é o analfabeto político.
Alguns defendem que futebol é uma segunda religião dos brasileiros. Em geral, países subdesenvolvidos também possuem um esporte nacional. O problema do esporte seja qual for e a situação, poderá ser uma faca de dois gumes. Doravante, políticos poderão utilizar deste meio para arrecadar votos. Assim como tal candidato de determinada religião poderá falar: os fieis desta igreja votarão em mim ou naquele partido. Sem contar os dirigentes ou ex-atletas que se lançam candidatos. Recentemente Vanderlei Luxembugo foi barrado na disputa por uma vaga eleitoral ao senado.
Ao tratar dos políticos profissionais, assistimos frequentemente seus comparecimentos em jogos decisivos. Afinal, quem não é visto não é lembrado. Enquanto os presidentes são assimilados as Copas, o presidente Lula procurou colocar o dedo até na CBF – não que ela seja uma entidade perfeita. No ano passado, após ver seu Corinthians ganhar a Copa do Brasil e ter jogadores vendidos ao exterior, Lula quis mudar o calendário do Campeonato Brasileiro. Sem contar os seus inúmeros verbetes futebolísticos e as camisetas da seleção que ele presenteia, até Mahmoud Ahmadinejad ganhou uma.
Depreendo que numa eventual final de Copa do Mundo com a seleção brasileira neste ano, e caso for para os pênaltis aposto que a última cobrança será disputada no grito entre Dilma e Serra. Porventura, os presidenciáveis já estão caracterizados para a Copa: Marina Silva (PV) já possui a cor verde. José Serra (PSDB) as cores azuis e amarelas. Dilma Rousseff (PT) sem cores da bandeira no partido, talvez venha dizer que é o sangue que alimenta o espírito esportivo. Embora que possa ser provável conhecermos o nome dos jogadores da seleção de Dunga, e desconhecer nossos vereadores e deputados. Contudo, Eleições e Copa do Mundo são univitelinas.

José de Souza Júnior
Contato: js_junior@yahoo.com.br
 

 


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